A trajetória como Vereador e Deputado Federal é uma infinita causa de vergonha alheira aos eleitores de Jair Bolsonaro - ou deveria ser. Em 30 anos de legislativo não fez nada relevante, sendo um vereador pouco participativo e um deputado que carregava nas costas um conservadorismo falso e preconceituoso. Desde cedo demonstrava a sua ideia de comando, desejava um mundo onde apenas militares e governantes pudessem ter voz, sem debates ou qualquer outra ação verdadeiramente democrática. Entre 1989 e 1990 fez um único discurso na câmara do Rio, onde apenas criticou a imprensa e sugeriu forçar um controle de natalidade efetivo, alegando que "educar não adianta porque a população é analfabeta". Também condenou a distribuição de camisinhas nas localidades mais pobres, proferindo a seguinte frase: "a molecada vai brincar de balão". Além disso, defendeu a tese de que a contenção da explosão demográfica deveria acontecer em cima das classes mais humildes. Nenhuma proposta para ajudar na diminuição das diferenças sociais do país, apenas para garantir que as classes privilegiadas seguissem assim.
Nem vamos comentar aqui as polêmicas posteriores, não vale a pena, pois uma simples busca no Google oferece um catálogo repleto de ignorância e cafajestice produzido pelo hoje Presidente da República Federativa do Brasil. Vamos, então, falar sobre os projetos importantes apresentados por Bolsonaro, leis que hoje fazem parte da nossa constituição graças a seus ilimitados esforços. Bom, porém, infelizmente não encontramos nada. Em 28 anos cumprindo mandatos como Deputado Federal, Jair Bolsonaro aprovou apenas dois projetos, ambos de baixa relevância. A primeira proposta aprovada foi a PL2514 de 1996, que estende a isenção de impostos para produtos industrializados (IPI) também para itens de informática. O outro, a PL3454 de 2016, que autoriza a utilização da fosfoetanolamina, a famosa pílula do câncer. Esse último, foi apresentado por Bolsonaro ao lado de outros 15 deputados, entre eles, o filho Eduardo. A tal pílula, por sinal, foi a primera cloroquina do presidente, que fez uma força imensa para que o medicamento fosse aprovado mesmo antes de ter sua eficácia comprovada.
Em entrevista ao site Rede Brasil Atual em 2018, o então deputado federal Glauber Braga (Psol-RJ) foi categórico ao justificar os fracassos nas aprovações: “O problema é a qualidade dos projetos. Num parlamento majoritariamente conservador, teoricamente, os projetos conservadores também seriam aprovados”, afirmou. E não precisa ser nenhum cientista político para concordar com Glauber, basta conferir algumas das propostas que não foram aprovadas. Umas delas, a PL7699 de 2017, tinha como objetivo inscrever o nome do ex-deputado federal Éneas Ferreira Carneiro no Livro dos Heróis da Pátria. “Seu valoroso nacionalismo e sua oposição ao comunismo o qualificam como herói da pátria”, justificou no projeto. Em outra "pérola", Bolsonaro apresentou o projeto de lei (PL) 9564 de 2018, que visava tornar “excludente de ilicitude” as ações dos agentes federais na intervenção federal no Rio de Janeiro. Com isso, toda e qualquer ação dos agentes naquela ocasião estariam livres de revisão e/ou criminalização, incluindo a morte de inocentes em decorrência das operações. Teve também o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 18/2015, que visava sustar os efeitos das resoluções nº 11, de 18 de dezembro de 2014, e nº 12, de 16 de janeiro de 2015, que garantem o uso de nome social para travestis e transexuais em boletins de ocorrência e também nas instituições de ensino. Tantos problemas a serem resolvidos nesse país, e a população elegendo isso?
Ao todo, Bolsonaro apresentou cerca de 170 projetos, aprovando apenas dois. A taxa de aprovação de Projetos de Lei de um deputado notável gira em torno dos 20%. Bolsonaro, por sua vez, teve apenas 1,18% de suas propostas votadas positivamente, uma vergonha! Entretanto, estamos no Brasil, e foi cuspindo palavras ao vento das quais a população precisava ouvir que toda essa vergonha chegou ao Palácio do Planalto. Hoje, os brasileiros precisam conviver com uma pandemia e ao mesmo tempo torcer para que o homem que deveria ser o condutor e a esperança da nação, apenas mantenha a boca fechada. A catástrofe que se apresenta em 2020 com o ex-deputado na presidência pode até ser uma surpresa para algumas pessoas, mas não para o Coronel Carlos Alfredo Pellegrino, que em entrevista à Folha de S. Paulo em 2017 afirmou: "Bolsonaro tinha permanentemente a intenção de liderar os oficiais subalternos, no que foi sempre repelido, tanto em razão do tratamento agressivo dispensado a seus camaradas, como pela falta de lógica, racionalidade e equilíbrio na apresentação de seus argumentos". As palavras do ex-coronel resumem Bolsonaro como uma personalidade incompatível com um chefe de estado.
É simples: um deputado incompetente será, invariavelmente, um presidente incompetente.
Deus nos proteja!


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