Controversa, polêmica, discutida, criticada, elogiada... muitas foram as reações em torno da contratação de William Waack pela CNN Brasil, no último dia 16 de março. Desde de 2017 o jornalista é resumido ao erro que culminou em sua demissão na Rede Globo, onde as pessoas parecem ter esquecido completamente sua experiência e credibilidade adquiridos em quase 50 anos de profissão.


No dia 9 de novembro de 2017, o então apresentador do Jornal da Globo, em meio à cobertura das eleições presidenciais norte-americanas, teve um vídeo vazado onde fazia uma piada extremamente racista. O jornalista, no entanto, afirmou não ter tido a intenção de ofender ninguém, apenas exagerou no humor. Waack, mesmo negando a acusação e afirmando não se lembrar exatamente do que disse, pediu desculpas àqueles que se sentiram atacados por suas palavras. No dia 22 de dezembro de 2017, a Rede Globo anunciou a demissão do jornalista, que estava há 20 anos na emissora. William Waack recebia 130 mil reais por mês e sua rescisão custou R$3,5 milhões à Globo.


Relembre o vídeo do comentário racista


A CNN iniciou suas atividades no Brasil no dia 15 de março de 2020, um projeto que vinha sendo desenhado desde meados de 2019. Além de William Waack, Evaristo Costa foi outro ex-global a ingressar no quadro de funcionários do canal no mesmo dia que o ex-âncora do Jornal da globo. Apesar de muito competente, muitas pessoas entendem como um desrespeito aos brasileiros a contração de Waack, pensamento distinto ao do CEO da emissora no Brasil. Daniel Tavoralo afirmou que "a CNN Brasil tem grande orgulho ao anunciar a contratação de William Waack, porque temos a convicção de que se trata de um dos maiores jornalistas do país”. O site hypeness.com.br, por exemplo, publicou um artigo com o título "O Racismo será premiado: William Waack vai comandar o jornal da CNN". O texto afirma ser incorreta a conhecida frase que diz que o crime não compensa, afinal, teria compensado para Waack.


Opinião: Falar de racismo é sempre complicado, entramos em um tema que muitas vezes não temos o conhecimento prático e profundo de certos acontecimentos. Não se pode diminuir o ato errôneo de William Waack, tampouco ignorá-lo pelo profissional que ele sempre foi. O mundo busca combater o crime de racismo há muito tempo, portanto, a atitude da Globo em 2017 não poderia ter sido mais correta. Mas até quando punir um ser humano por sua falha? Em que estágio se pode afirmar que alguém aprendeu a lição e que é hora de virar a página? Alguns erros são muito graves e, de fato, esse é um deles. Porém, a colaboração que certas personalidades podem dar ao país por seu conhecimento e experiência, podem valer o perdão e a restituição do respeito.


Bom, mas o quê um jornalista pode agregar de tão importante? A verdade é que vivemos tempos muito hostis, onde a palavra foi dada aos mais diversos tipos pessoas por meio da internet, sendo que algumas falam por falar e não pensam antes de abrir a boca. É cada vez mais difícil saber no que acreditar, em quem confiar e qual link de noticias abrir. Por isso, profissionais do gabarito de William Waack são muito importantes para a manutenção do bom jornalismo. Antes de se colocar em situação de julgamento pelas infelizes palavras proferidas em 9 de novembro de 2017, William, ainda nos anos 70, foi professor universitário, escreveu três livros e cobriu como correspondente internacional uma série de acontecimentos históricos da humanidade; como a guerra fria, a desintegração da União Soviética, a queda do Muro de Berlín e a Revolução do Irã. No ato do cumprimento de suas funções, ainda foi sequestrado pela Guarda Republicana de Saddan Hussain durante a Guerra do Golfo. Um tempo onde o jornalismo era feito por pura paixão, e a informação era a meta de vida de homens como ele. Em 1996 ingressou na Globo, onde só saiu após o ocorrido em 2017.


Não dá pra esquecer atitudes tão graves como o ato de racismo cometido pelo hoje âncora da CNN Brasil, entretanto, com a devida cautela, devemos entender que todos erram e merecem uma segunda chance. Sair da Rede Globo, uma das maiores emissoras de TV do mundo, pela porta dos fundos como saiu; talvez tenha sido um golpe duro o suficiente para sua carreira. Lições dadas e aprendidas corretamente ainda devem servir como remédio.


Vamos dar uma chance ao profissional que existe por trás do erro.