Você tem um top 5 de seus filmes favoritos? Eu normalmente faço essa pergunta para qualquer pessoa que me fale que gosta de cinema. Não que faça muito sentido ranquear seus filmes, mas isso é comum nos autoproclamados “cinéfilos”, sendo o ser que vos escreve um desses. O ranking de filmes vem aos poucos sendo substituídos pelo ranking de séries de televisão. É uma troca que começou nas vídeo locadoras, com locações de boxes de dvds como Arquivo X, Friends e The O.C. e hoje continua nos serviços de streaming. Por que ter duas horas com um personagem se você pode ter trinta?
Quem nunca acompanhou uma série por anos apenas para passar raiva com o final? Não apontemos nomes (game of thrones cof cof), mas acompanhar uma série é um comprometimento grande, assim como as expectativas e teorias criadas durante esses anos de dedicação.
A popularização dos seriados foi benéfica para obras que antes não teriam a oportunidade de estar nos holofotes como uma “série original Netflix”. Foi devido à qualidade de shows como House of Cards e Stranger Things que o selo Netflix ganhou o prestígio que tem hoje. Um bom exemplo de série que se beneficiou do sucesso desse selo foi The Midnight Gospel, série criada por Duncan Trussel.
Para os desavisados, o trailer de The Midnight Gospel parece no mínimo bizarro, um ser rosa que viaja para outros planetas no intuito de gravar entrevistas para seu videocast. Mas lá está: Uma série original Netflix. Então acabamos dando uma chance, sei lá, são vinte minutos por episódio, quem sabe não é tão ruim assim. Sim, esse foi meu processo para assistir ao show, e devo dizer que foi a melhor coisa que assisti em 2020.
O personagem principal Clancy é um cara de meia idade totalmente desprendido de tudo e todos os episódios são sobre ele e algum entrevistado aleatório andando por um planeta terra alternativo e falando sobre os problemas no qual qualquer pessoa poderia se identificar. O personagem discute suas ideias e está sempre aberto para novas visões do mundo, por mais estranhas que elas possam parecer. O show trata dos assuntos mais mundanos como carreira até tabus como a legalização de drogas e o jeito que uma lida com a morte, sendo que a Morte acaba sendo uma das entrevistadas.
A série é uma montanha russa de emoções e finaliza com um episódio perfeito. Se terá uma segunda temporada eu não sei. Deveria? Em minha humilde opinião, não. Mas de todas as conversas existencialistas ao longo do show, todas as questões sobre a vida e a morte, a pergunta que ficou na minha cabeça no final foi: eu teria assistido essa série dez anos atrás? Ou alguém produziria algo desse tipo uma década atrás? Talvez sim, talvez não.
Midnight Gospel está disponível na Netflix
Nota: 4.5/5
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