É incrível a quantidade de oportunidades que o presidente Jair Bolsonaro teve e têm de fazer a coisa certa. Ao realizar escolhas técnicas para os ministérios conseguiu mudar o pensamento de muita gente em relação a ele, uma ação que fugiu completamente às práticas convencionais de seus antecessores. Entretanto, sua elevada inclinação ao autoritarismo não o permitiu deixar que seus ministros trabalhassem com a autonomia necessária, e voilà: o bom e velho Jair Bolsonaro.
A pandemia do novo Coronavírus talvez tenha sido a grande chance do presidente para aumentar sua popularidade e garantir sua reeleição, porém, outra vez não foi capaz de aceitar opiniões opostas. Após dois ministros da saúde capacitados e inaceitavelmente contrários à cloroquina, nomeou "interinamente" um militar para assinar o tal protocolo de recomendação do medicamento. Além disso, Sérgio Moro, um dos pilares de seu governo, pediu demissão após perceber a tentativa de interferência política na Polícia Federal por parte do chefe do executivo. Mesmo com toda essa obscuridade, ontem (18/06) Bolsonaro teve mais uma chance de tomar uma atitude sensata e responsável, entretanto, preferiu deixar claro estar agindo outra vez por mera conveniência.
A demissão do Ministro da Educação, Abraham Weintraub, já era esperada e foi festejada por várias frentes políticas do país. Suas ideologias contrárias ao multilateralismo o tornam uma afronta aos interesses de um governo democrático, tornando sua saída do ministério algo inevitável. Cada publicação do ministro demissionário nas redes sociais causavam calafrios nos membros do governo, que sabiam que precisariam dar explicações posteriores. As declarações na reunião ministerial do dia 22 de abril, onde chamou os ministros do STF de vagabundos, na visão de muita gente já era motivo suficiente para a demissão de Weintraub, mas foi a repetição do insulto durante manifestação em Brasília que colocou um ponto final em sua administração desastrosa no MEC.
Bom, com isso, um dos perigos bolsonaristas à democracia brasileira fora definitivamente afastado de cargos relevantes para o país - só que não! Para surpresa dos brasileiros, junto com o anúncio da exoneração veio a informação de que Abraham Weintraub assumirá o cargo de diretor executivo do Banco Mundial, onde representará, além do Brasil; Colômbia, Equador, Trinidad y Tobago, Filipinas, Suriname, Haiti, República Dominicana e Panamá.
O currículo do ex-ministro da educação é bastante interessante, se olharmos só para o papel, claro. Weintraub formou-se em economia pela Universidade de São Paulo e é Mestre em Administração Financeira pela Fundação Getúlio Vargas. Além disso, foi diretor chefe do Banco Votorantim, sócio da Quest Investimentos, membro do comitê de Trading da Bovespa e conselheiro da Ancord (Associação Nacional Das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Mobiliários, Câmbio e Mercadorias). Na prática, era um dos homens mais importantes do Banco Votorantim quando a instituição quebrou em 2009, fato lembrado por Rodrigo Maia ao comentar a indicação de Weintraub ao Banco Mundial. Em 2012 foi demitido do banco sem mais explicações. Antes de se tornar integrante do governo de transição de Jair Bolsonaro, trabalhou como Diretor Executivo de Estudos em Seguridade pela Unifesp, de onde saiu sob vários conflitos com integrantes da universidade por publicações polêmicas no Twitter.
A nomeação de Abraham Weintraub ainda tem que ser aprovada pelos membros do grupo a ser representado, algo que não deverá ser problema já que o Brasil tem 50% dos votos. Após atacar chineses, insultar a língua portuguesa, ofender Judeus, ameaçar ministros do Superior Tribunal Federal, ironizar a pandemia e incitar manifestações anti-democráticas, a punição do ex-ministro será deixar de receber R$31.000,00 mensais para ganhar quase 22 mil dólares, o equivalente a 115 mil reais por mês. Agora ele aprende!
Especialistas temem ainda que a personalidade irresponsável de Weintraub prejudique o Brasil em projetos junto a instituição internacional, que tem em seu código de ética a proibição de declarações sobre a política dos países membros, prática constante do provável novo diretor executivo.
Parabéns, presidente! Mais uma vez você provou sua imensa incapacidade de governar.


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