O Brasil tem grande tradição no jornalismo, uma tradição iniciada há mais de 200 anos. E assim como acontece hoje nos telejornais, jornais impressos ou virtuais, as noticias sempre dividiram espaço quase que por igual com artigos de opinião, afinal, o jornalismo é o grande símbolo da liberdade de expressão. O primeiro jornal brasileiro foi fundado em 1º de julho de 1808, em Londres, Inglaterra. Isso mesmo, a primeira informação que se tem sobre um impresso brasileiro vem do outro lado do oceano, e foi criado por Hipólito José da Costa Pereira Mendonça Furtado, e intitulado como "Correio Braziliense". A ideia do projeto não era noticiar o que acontecia no Brasil, mas sim, oferecer olhares distintos e críticas sobre economia, política e sociedade dos tempos do império em nosso país.
Com o passar dos anos, outros jornais importantes e simbólicos apareceram, como o Diário Carioca, Jornal Brasil, A malagueta, entre outros. A partir dos anos de 1950 com a chegada da televisão e décadas mais tarde a internet, poucos foram os veículos de comunicação impressa que conseguiram se manter de pé a nível nacional, entre os principais estão a Folha de S. Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo e Estadão. Mesmo assim eles precisaram evoluir para edições digitais e assinaturas cada vez mais baratas, podendo assim competir de alguma forma com as plataformas gratuitas e filiadas de emissoras de TV. Entretanto, o grande diferencial para a manutenção do ibope, assim como no início do século XVIII, sãos os editoriais escritos pelos tais formadores de opinião renomados, como jornalistas, cientistas políticos, professores e etc.
Ainda assim, a principal fonte de informação do brasileiro nos dias atuais são os telejornais, e em 2020 eles estão mais do que nunca na boca do povo. A Rede Globo há alguns anos lidera o ranking da preferência nacional, muito pela qualidade dos profissionais e confiabilidade do conteúdo, mas também pela falta de concorrência. Após as eleições de 2018 e a vitória do presidente Jair Bolsonaro, então do PSL, as coisas mudaram um pouco, pois a família Marinho não faz a menor questão de esconder sua insatisfação com o atual governo. Isso fica claro nas edições diárias de telejornais importantes como o Jornal Hoje, Jornal Nacional e Jornal da Globo, que chegam a dedicar mais de 70% do tempo no ar para falar sobre os escândalos relacionados ao executivo brasileiro. E com isso, o lado que se sente afetado deixa de consumir o canal. A Rede Record, por sua vez, faz o caminho inverso, fugindo completamente de assuntos que possam afetar a popularidade de Bolsonaro. Isso serve também para a Record News, único canal exclusivo de notícias disponível na TV aberta. Essa guerra política entre as emissoras beneficiou o canal do Bispo Macedo, que teve um aumento médio de 26% na audiência. A Rede Bandeirantes e o SBT seguem quase que na mesma linha das outras duas, sendo a Band inclinada a oposição e os comandados de Silvio Santos, ao governo. A manifestação é bem menos explícita, claro, mas perceptiva.
Todo esse posicionamento escancarado abre espaço para o imparcial, que tende a ser a válvula de escape para as pessoas que querem analisar os fatos e olhar para os dois lados. Foi nessa brecha que a CNN entrou no Brasil, surfando em uma onda esquecida pelas tradicionais emissoras do país. A questão é diferente, obviamente, pois estamos falando de TV por assinatura, que tem um alcance bem menos abrangente do que a amada rede aberta. Entretanto, para os adeptos dos pacotes de TV fechada já não é mais necessário escolher um lado, pois a emissora norte-americana recém chegada em nosso país oferece um conteúdo 100% justo, dando voz a todas as partes e em todos os temas. A vantagem da CNN é que os apoiadores do governo não falam com a Globo e os críticos não falam com a Record, enquanto isso, todos falam com a CNN Brasil. Simples assim.
A emissora adotou os debates como a principal forma de falar sobre os assuntos mais importantes do país, debates esses protagonizados por seus jornalistas ou até mesmo por convidados, como deputados, senadores, advogados e etc. Os comentaristas político/criminal Caio Copolla, apoiador incondicional do presidente, e Augusto de Arruda Botelho, crítico do atual governo, são a imagem do sucesso da prática nesse primeiro ano de atividades da CNN no Brasil. 'O Grande Debate', como é chamado, é líder de audiência no canal e, consequentemente, ganha cada vez mais telespectadores entre os assinantes, cansados da parcialidade dos canais tradicionais que normalmente lideravam o ibope. O sucesso chegou também nas plataformas digitais. O aplicativo da CNN Brasil já conta com quase 200 mil downloads, um número bastante considerável levando em conta que seu lançamento foi em abril de 2020. O Globo News Play, por exemplo, foi lançado em 2016 e tem pouco mais de 500 mil downloads, uma média de 125.000 por ano.
A verdade é que o jornalismo, como quase tudo na sociedade, é moldado pela política. Alguns preferem o que lhe é conveniente, optando por nutrir-se de argumentos que justifiquem suas visões. Contudo, ainda temos àqueles que preferem ouvir e estudar todos os pontos de vista antes de se posicionar, conduta bem mais compatível com a coerência esperada de quem expressa uma opinião.
A CNN Brasil chegou para fazer jornalismo de verdade. Até quando eu não sei, porém, desfrutemos!


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