O grupo autointitulado '300 do Brasil' se reuniu na Esplanada dos ministérios na madrugada do último dia 31 de maio, composto por aproximadamente 30 pessoas. Eles utilizavam máscaras e tochas que remetiam à famosa seita supremacista que atuou fortemente no sul dos Estados Unidos no início do século XX, responsável por atrocidades contra negros e outras minorias do país, a Ku Klux Klan. A apologia é feita justamente no momento em que o mundo se une pedindo o fim da violência de policiais contra negros e justiça no caso George Floyd (46), mais um afro-americano morto após ser detido pela polícia nos EUA, dessa vez em Minneapolis, Minnesota. A marcha foi liderada por Sarah Winter, militante que se diz ex-feminista e que em determinado momento de sua trajetória foi às ruas protestar contra o então deputado federal Jair Bolsonaro, porém, hoje, monta seu show em prol do presidente da República.
Por mais que o objetivo seja confrontar o poder judiciário pelo mesmo estar trabalhando em casos que afetam pessoas ligadas à presidência, e não fazer terrorismo contra minorias, é inaceitável que o figurino traga lembranças tão degradantes da história humana em uma paródia de muito mal gosto. Se quer protestar e implorar para que seus direitos sejam oprimidos como nos tempos da ditadura, seria interessante um pouco de originalidade. Claro, a não ser que a intenção seja de fato aterrorizar, afinal, as palavras de Sarah Winter indicam isso quando promete infernizar para sempre o ministro do STF. Obviamente não existem ideologias claras e tampouco um motivo profundo para manifestação que não seja o interesse próprio, pois vale lembrar, Winter é uma das investigadas no caso das Fake News.
Mas o quê esperar de um país onde o Ministro da Educação compara a execução de ordens de busca e apreensão com a noite dos cristais, quando mais de 90 judeus foram assassinados por paramilitares nazistas pelo simples fato de serem judeus, e mais de 30 mil foram levados aos campos de concentração. Ministro da educação, sério? Além disso, temos um presidente que coloca a economia acima de vidas humanas, parecendo não entender a gravidade da pandemia mesmo após o país atingir mais de trinta mil vítimas. Esse mesmo presidente apoia manifestações que ferem a constituição, agravando isso com atos gritantes de intolerância para com àqueles que discordam de suas ações. Todos esses fatores incitam livremente pessoas como Sarah, que tem seus atos justificados pelas falas do chefe do executivo.
Tudo isso por algum momento me causou vergonha de ser brasileiro, até entender que essas pessoas na verdade são a minoria. Elas enxergam o mundo de um jeito torto, acreditando serem superiores e terem o poder por apoiarem o lado que governa, esquecendo que o mesmo está lá para trabalhar pelo povo, sendo assim, para todos. Quando os interesses se dividem e o bem da população é posto em risco, a vontade da maioria acaba sendo respeitada, a exemplo das eleições. E se bem me lembro, 70 ainda é maior que 30.
O Brasil ainda tem jeito!
Ku Klux Klan
No fim do século XIX um grupo de malucos norte-americanos fundavam uma seita terrorista que tinha como objetivo impedir o desenvolvimento e a inclusão dos negros em meio a sociedade americana. Por volta de 1915 a Ku Klux Klan adotou a utilização de capas e máscaras assustadoras, com a finalidade de chocar e esconder suas identidades. Em três momentos diferentes da história a seita aterrorizou afrodescendentes nos Estados Unidos, defendendo a supremacia branca e outras idiotices que sequer valem a pena citar aqui. O quê importa é que estamos falando de um episódio desastroso da humanidade, algo que não pode ser esquecido (até porquê algumas células ainda estão ativas nos EUA) para que outras gerações entendam que respeito e igualdade salvam vidas, garantindo que coisas assim não se repitam.



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