Tendência de mercado há muitos anos, as vendas online ganharam ainda mais espaço após o início da pandemia. Os passeios por lojas, shoppings e derivados deixaram de ser aconselháveis, transformando o mundo virtual no único possível para realizar desejos de compra. Com o retorno vagaroso das atividades normais, os consumidores vão aos poucos retornando às lojas, porém, sem entender que a vida real não dispõe de determinadas vantagens oferecidas no e-commerce - e vice-versa. 

Segundo o site e-commercebrasil.com.br, as vendas pela internet cresceram cerca de 71% desde março de 2020, um número influenciado, claro, pela crise sanitária e a necessidade de isolamento. Porém, no mundo virtual os consumidores descobriram a praticidade de comprar do sofá de casa e, muitas vezes, com preços e condições muito mais interessantes. Essa migração está afetando uma categoria que faz a economia girar em todo e qualquer lugar do mundo: a dos vendedores. 

As lojas físicas que atuam na internet costumam praticar preços bem diferentes para a mesma mercadoria, com variações de até 30%, sendo sempre mais barato no site e com parcelamento a juro 0%. A justificativa é que no Marketplace o custo é bem menor, pois a necessidade de trabalho humano é mínima e o cliente não precisa da orientação de um vendedor, que além de custar caro legalmente, ainda é comissionado. Até aí é compreensível, é preciso olhar para o negócio com os olhos do dono. Por outro lado, ainda, é preciso entender a necessidade que pessoas têm de economizar hoje em dia, onde cada centavo deve ser muito bem usado ou economizado. O vendedor entende essa necessidade, afinal, em outros momentos ele também é cliente. 

Bom, até aqui tudo o que falamos está ligado ao lado comercial e econômico do assunto, onde o importante é garantir boa margem de lucro para quem vende e para quem compra. No entanto, falando como vendedor, o maior problema de toda essa modernização está na falta de noção de boa parte dos consumidores. 

Vamos lá. A internet oferece algumas boas vantagens: como preço, condição de pagamento diferenciada, comodidade e um leque infinito de opções. Por outro lado, é preciso entender que optando pela compra online ele está abrindo mão do auxílio do profissional de vendas e da orientação da loja física no pós-venda, pois acreditem, não se pode ter as duas coisas. 

Trabalhando no comércio varejista infelizmente nos deparamos com situações onde o cliente de e-commerce vai até a loja física, ocupa o tempo do profissional comissionado que poderia estar atendendo um cliente da loja, apenas para conhecer o produto que comprou ou irá comprar pelo site da mesma loja, sem entender o tamanho da falta de respeito de tal ação. Para quem vive da venda, vive de comissão, cada minuto no trabalho vale dinheiro. Cada pessoa que entra na loja apenas para conhecer o produto que adquiriu de maneira online e pede o auxilio do vendedor está prejudicando e muito o ganha pão daquele profissional. 

Apesar de todo o avanço alcançado por esse setor,  a maior parte dos brasileiros ainda não aprendeu a avaliar vantagens e desvantagens, quer ter tudo e em todos os lugares. Quer comprar na loja com preço e condição de site, e/ou,  comprar no site com a segurança de ser auxiliado por um vendedor e podendo reclamar na loja em caso de problemas. Vendedor não vende para o site, vende para a loja, entenda isso! Ou as lojas começam a remunerar seus funcionários para auxiliar seus consumidores virtuais, ou o clima tende a ficar tenso no varejo nacional. 

Se você prefere e costuma fazer suas compras pela internet e mesmo assim gosta de ir até a loja para ver de perto o produto que está adquirindo, avise o vendedor e fique à vontade.