Costumamos dizer que o homem é o ser que melhor se adapta aos diferentes cenários apresentados pela natureza e pelo mundo, eu concordo discordando. A pandemia mostrou muito do que temos de melhor, principalmente em termos de empatia e solidariedade. Estender as mãos a quem precisa foi a forma encontrada por muitas pessoas para seguir em frente em um momento tão difícil. Entretanto, o jeito que alguns encaram a doença que parou o mundo assusta, tamanha irresponsabilidade e indiferença à dor da humanidade. 

As autoridades nacionais e internacionais de saúde buscam diariamente orientar da melhor maneira a população para conter a contaminação: evitar aglomerações, sair de casa apenas se necessário, usar a máscara, lavar as mãos e usar o álcool em gel quando não for possível fazê-lo, ações que minimizam consideravelmente os riscos de transmissão. Boa parte dos brasileiros têm seguido essas orientações à risca, para o próprio bem e de quem se ama. Mas e quando o desleixo e a falta de respeito põem em risco a vida de pessoas que você nem conhece? Fatores que todos deveríamos sempre levar em consideração, porém, não acontece. 

Infelizmente, mesmo com toda a informação disponível, existem indivíduos que insistem em desacreditar tudo o que se noticia, andando na contramão da ciência e dos números apresentados. Com isso, usar a máscara é exagero, o álcool incomoda e como viver sem as festas? Porque a Globo mente, o Bolsonaro tem razão e a OMS quer quebrar o planeta. É tanta ignorância que chegamos a duvidar da humanidade, nos restando apenas a esperança dos bons exemplos. 

O Brasil atingiu a marca desesperadora de 60 mil mortos no último mês, algo que no início de 2020 era impensável. A frase "cada ação gera uma reação" pode até parecer um grande clichê da física, mas é a mais pura verdade. Uma epidemia mortal, um inimigo invisível que sequer sabíamos como combater... Ingredientes capazes de dizimar uma população. A ação do desrespeito gerou a reação do contágio acelerado e da morte, e lamentavelmente a perda de milhares de pessoas não comove quem ainda não perdeu ninguém, pois o ser humano precisa sentir na pele. 

Outro ponto importante está no estágio de debate que a doença atingiu no Brasil, deixando de ser "apenas" uma questão sanitária. De certa forma, se hoje expressamos nossa preocupação com a situação causada pela pandemia, nada mais somos do que esquerdistas concentrados em derrubar o governo. Por outro lado, a descrença automaticamente rotula o indivíduo na direita política conservadora e super preocupada com a economia do país. 

Independente do lado que nos encontramos - quando o assunto é política -, a preocupação precisa ser com a vida. Hoje não temos mais o direito de nos preocuparmos somente com o ar que respiramos, mas também com quem está em volta. Não há mais espaço para o egoísmo social, nesse momento ele é fatal. Por isso, a ciência é a chave para que um dia voltemos a viver com liberdade, andar nas ruas sem medo de infectar ou ser infectado sem sequer tocar em ninguém. O mundo não é o mesmo de seis meses atrás, precisamos pôr isso na cabeça e parar de acreditar nas bobagens proferidas por quem não tem conhecimento. Ciência: levem consigo essas sete letras e tenham a certeza de que nesse momento apenas ela deve ser ouvida. 

E então, quem é você na pandemia?