Uma das maiores discussões nesse hostil Brasil pandêmico é a posição da Rede Globo em relação as questões ligadas ao isolamento social, onde a emissora é acusada de defende-lo em prol de atacar o presidente da república. Contudo, assim como já havíamos falado em nosso primeiro texto em abril, a paralisação das atividades afeta também o canal, que além de não produzir conteúdo exclusivo e inédito, acabou ficando sem os principais eventos esportivos do ano. Tais eventos, aliás, são responsáveis por grande parte do faturamento da empresa, uma perda sem precedentes. 

A conta chegou, e agora ameaça a grade de programação e a arrecadação não só de 2020, mas de 2022 também. Desde 1970 a emissora carioca é a detentora dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de Futebol, sendo assim, a única autorizada a exibir a competição no país. O contrato com a FIFA é sólido e conta com parcelas fixas, das quais o grupo Globo sempre compareceu sem falhas. O problema é que os prejuízos adquiridos desde o início da pandemia do novo coronavírus são incalculáveis, fazendo com que a equipe financeira do grupo buscasse por revisões de inúmeros contratos para a redução de valores, como da Fórmula 1 e Copa Libertadores, renegociados sem nenhum tipo de resistência. 

A Federação Internacional de Futebol Associação (FIFA), por sua vez, seque avalia a possibilidade de rever os valores acordados incialmente, e exige o pagamento integral da parcela de U$90 milhões que vence dia 30 deste mês, fato que obrigou a Rede Globo a entrar com uma ação na justiça impedindo que o Banco Itaú, responsável pela intermediação, efetue o pagamento. A emissora alega que por conta dos incalculáveis prejuízos obtidos pós pandemia, seu fluxo de caixa foi gravemente afetado. O valor cobrado é a penúltima parcela de um contrato de oito anos com um valor total de U$600 milhões; referentes a direitos de transmissão do Mundial de Clubes, Copa do Mundo feminina e masculina, mundiais de base e Olimpíadas de 2016 e 2020. 

A situação pode acarretar na perda de direitos da Globo sob a Copa do Qatar, em 2022. O provável rompimento acendeu o alerta de outras emissoras, como o Grupo Disney, dono dos canais Fox Sports e ESPN. Essa é mais uma prova da insensatez das acusações feitas a emissora, das quais acreditam que a mesma tenta forçar e manipular a opinião pública sobre a importância da quarentena no combate à Covid-19. Estima-se que o canal já perdeu cerca de 1,6 bilhão de reais com a parada causada pela epidemia, sendo que o lucro obtido em 2019 foi de R$1,8 bilhão (14% do total arrecado). 

Confira abaixo trecho da petição judicial encaminhada pela emissora: 

Não é lógico nem razoável exigir da autora [Globo] o desembolso de cerca de R$ 450 milhões para honrar o pagamento de uma parcela de um contrato que, já sabemos, deverá ser renegociado, com substancial redução de valores (quiça extinção). O impacto financeiro desse pagamento será muito grave para a autora, especialmente nesse momento (...)