Eu não sei ao certo quantas vezes eu assisti aos animes de Fullmetal Alchemist, mas sempre que assisto é um festival de lágrimas e risadas. A jornada dos irmãos Elric para recuperar seus corpos é inesquecível. Mas se é inesquecível, por que assistir de novo? Bem, porque a obra merece.
Publicado de 2001 a 2010 na revista mensal Shõnen Gangan com arte e história de Hiromu Arakawa, Fullmetal Alchemist é considerado até hoje uma obra irretocável. O mangá acompanha os irmãos Edward e Alphonse Elric em sua busca para recuperar seus corpos após tentarem ressuscitar sua mãe através do maior tabu da alquimia: a transmutação humana. A esperança de recuperar seus corpos está na mística Pedra Filosofal, algo presente em lendas de um país no Leste. A pedra teria o poder necessário para realizar qualquer desejo e assim sendo possível quebrar a Lei da Troca Equivalente.
É uma jornada sofrida, por muitas vezes me coloquei no lugar dos personagens e dificilmente encontrei em mim a coragem para fazer o que eles tiveram que fazer. Nada é de graça, tudo tem um preço equivalente àquilo que você deseja e isso é muito claro durante toda a história; o que por diversas vezes é cruel. No decorrer dos episódios acabamos por entender que quem são os mocinhos e os vilões é subjetivo, depende em que circunstâncias você nasceu. É impossível ver o passado do personagem Scar e não odiar o mundo em que vivemos, um país inteiro foi massacrado por causa da cor de pele e crenças. Você perdoaria uma nação que exterminou sua família? Ou assim como o personagem citado você seguiria o caminho da vingança? Nem mesmo o personagem principal foge de toda essa imperfeição que é a humanidade, ele está pronto para passar por cima de tudo e de todos para recuperar o que lhe foi tomado.
Toda a ambientação gira em torno de guerras por expansões territoriais e conflitos étnicos. Soou familiar? Sim, toda maldade do nosso mundo está presente em FMA. Mas são os momentos de bondade na história que dá o tom aquecedor da série. Personagens como Maes Hughes, o tiozão que enche o saco de todo mundo com as fotos de sua filhinha linda de três anos (palavras do próprio), ou como o Major Armstrong ou Winry e a vovó Rockbell, que trazem um pouco de luz para aquele mundo.
A humanidade está presente também nos monstros da série, essas criaturas são conhecidas como homúnculos e são a encarnação dos sete pecados capitais: Inveja, Luxuria, Gula, Ganância, Ira, Preguiça e Orgulho. Cada um representando uma característica presente em todos nós. E no subsolo vive o homem conhecido como pai, ele guarda as respostas que os irmãos Elric tanto procuram.
O mangá recebeu duas adaptações para anime, sendo a primeira de 2003, que cobre um pouco menos da metade do mangá e por isso teve um final original em 51 episódios e foi concluído com o filme The conqueror of Shambala de 2005. Em 2009 o estúdio Bones adaptou as aventuras dos irmãos Elric mais uma vez desde o início, intitulado Fullmetal Alchemist Brotherhood, que contém 64 episódios e cobre toda a história do mangá. Se você me perguntar qual dos animes você deve assistir eu com certeza direi os dois. FMA Brotherhood com certeza é melhor, mas eu também gosto das explicações criadas para o primeiro.
Não importa se você lê o mangá ou assistir aos animes, Fullmetal Alchemist é uma obra de arte digna de ser apreciada várias vezes e com ela refletir sobre os mais diversos tópicos, um deles é que a história é e sempre será escrita pelo vencedor. Fullmetal Alchemist e FMA Brotherhood estão disponíveis na Netflix e na Crunchyroll.


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